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  • Há futuro nas democracias?

    Charge: Miguel Paiva | Memorial da Democracia As democracias são frequentemente associadas a valores como liberdade, igualdade e participação pública,  mas, na prática, enfrentam desafios diante da ascensão da extrema direita. Em diversas partes do mundo, suas estruturas têm sido testadas pelo processo de autocratização, pelo enfraquecimento das instituições democráticas, por políticas antipopulares, ataques à imprensa, pela crescente polarização política e pelo cerceamento de direitos civis , como observado nas recentes tentativas de reversão das leis que ampliaram os direitos de mulheres e pessoas LGBTQIAP+, tanto na Argentina quanto nos Estados Unidos . De acordo com o estudo de 2024 do Instituto Variedades da Democracia (V-Dem) , há um  declínio global na qualidade democrática, especialmente em países onde governos de direita ascenderam com discursos autoritários.  Ao limitar a oposição por meio de estratégias populistas e polarizadoras, que pintam a democracia como “ineficiente ou ameaçada” e se colocam como “salvadores da nação” , é uma tática amplamente ‘manjada’. América do Sul – Brasil O governo de Jair Bolsonaro  (2018-2022) negligenciou a crise sanitária da Covid-19, disseminando informações falsas sobre vacinas e agravando a crise, o que resultou em milhares de mortes evitáveis. Sua gestão também foi marcada por declarações que fomentaram a intolerância, especialmente contra grupos minoritários. Historicamente, movimentos fascistas tendem a ressurgir em períodos de crise econômica e instabilidade política, quando narrativas excludentes são usadas para culpar minorias pelas dificuldades sociais.  No Brasil, a relativização da ditadura, a disseminação de teorias conspiratórias, ataques às instituições democráticas e o enfraquecimento de políticas de direitos humanos, aliados ao uso de lemas historicamente associados ao integralismo, como  "Deus, Pátria e Família" , têm sido usados para promover um discurso ultraconservador e nacionalista, criando um terreno fértil para esses grupos. Fonte: Metrópoles De acordo com as pesquisas da antropóloga Adriana Dias (1970-2023), células de grupos neonazistas cresceram 270,6% no Brasil entre janeiro de 2019 e maio de 2021 , se espalhando por todas as regiões.  Pesquisadores do Observatório da Extrema Direita destacam que esse fenômeno não se limita ao Bolsonarismo , mas reflete uma radicalização impulsionada por discursos de ódio, conservadorismo, desinformação e o uso estratégico das redes sociais para recrutar e mobilizar seguidores. Durante o governo de Bolsonaro, uma série de protestos em massa surgiram em resposta às políticas impopulares e movimentos contra a Constituição, que afetaram diretamente a vida de milhões de brasileiros. Um dos principais protestos, além dos referentes a escassez de alimentos com a alta dos combustíveis e o desemprego, foi o corte no orçamento da educação, especialmente os cortes nas universidades e institutos federais , o que gerou uma mobilização significativa entre estudantes, professores e acadêmicos contra os esforços da direita para desmantelar o ensino público no Brasil. Crédito: Paulo Pinto/Fotos Publicas | Fonte: Contee Europa – Grécia Em 28 de fevereiro de 2023, um  trágico acidente ferroviário ceifou a vida de 57 pessoas após um trem intermunicipal com passageiros a bordo colidir com uma locomotiva de carga no vale de Tempe, na região de Tessália . Em 2025, dois anos após o ocorrido, as manifestações na Grécia escancaram a indignação popular diante da negligência do governo em relação às condições de vida da população. O aumento do custo de vida e das condições de trabalho precárias , agravadas por políticas que favorecem interesses privados, gerou revolta e levou milhares de cidadãos às ruas, exigindo transparência e ações concretas para garantir a segurança pública. As manifestações de fevereiro resultaram em repressão policial, com o uso de gás lacrimogêneo e a detenção de cerca de 90 pessoas e dezenas de feridos. Em maio de 2023, o partido de direita Nova Democracia (ND), sob a liderança do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, venceu as eleições, renovando o mandato por mais quatro anos. Durante sua campanha, Mitsotakis prometeu grandes reformas, incluindo aumentos salariais e enfrentamento das dificuldades econômicas, mas suas promessas continuam sem concretização,  gerando crescentes insatisfações. O governo também foi marcado por acusações de desvirtuamento de investigações, como o escândalo de escutas telefônicas em Atenas.   Na época do acidente, inclusive, poucos meses após assumir o cargo, Mitsotakis afirmou que o acidente foi “um trágico erro humano”, mas até agora, as investigações seguem sem conclusão ou condenação de suspeitos pelas mortes. Crédito: Angelos Tzortzinis/AFP | Fonte: Correio Braziliense Ásia – Coreia do Sul Em 3 de dezembro de 2024, o presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, membro do partido conservador, anunciou a implementação de uma Lei Marcial em resposta a crescentes tensões sociais e manifestações contra o governo,  incluindo conflitos trabalhistas e exigências por reformas. A medida restringe severamente as liberdades civis e políticas , permitindo aos militares o controle da movimentação das pessoas e a imposição de toques de recolher.  A decisão, comunicada por um discurso sem aviso prévio e transmitida ao vivo no canal de notícias YTN. A última vez que a Lei Marcial foi aplicada na Coreia do Sul foi em 1980, durante a ditadura militar, quando o governo utilizou a força para reprimir protestos pró-democracia , resultando em centenas de mortes –  como foi no levante de Gwangju , que se tornou um símbolo importante na luta pela democracia na Coreia do Sul e que é lembrado como um dos momentos mais trágicos da história do país. Já em 2024, a tentativa de golpe de Estado foi rapidamente rejeitada pelo Parlamento, que iniciou um processo de impeachment  de Yoon Suk Yeol, formalizando sua destituição 11 dias após o ato antidemocrático. A mobilização da população também foi importante frente à Assembleia Nacional, na capital Seul, mesmo com as temperaturas próximas a zero graus. O destaque se deu a juventude fã de k-pop, que frequentemente combina elementos da cultura pop com ativismo político, usando músicas de k-pop e a figura dos lightsticks como forma de resistência política. Crédito: Jung Yeon-je/ AFP/ Getty Images | Fonte CNN Os jovens sul-coreanos, por meio de redes sociais como Twitter, Instagram e TikTok, convocavam outros fãs para protestar e fazer pressão sobre o governo. Enquanto “Whiplash”, música do grupo aespa , teve a letra alterada para dar voz às palavras de ordem “renuncie, renuncie, renuncie, Yoon Suk-yeol”,  os lightsticks , bastões de luz tradicionalmente usados durante os shows de k-pop, eram balançados pelos manifestantes seguindo os gritos de ordem, iluminando as ruas e ganhando um novo simbolismo de resistência política. A resposta: Se olharmos para a história do mundo, a democracia já passou por crises profundas e tentou se reinventar de todas as formas , mas nunca sem o esforço coletivo. Todavia, o crescimento da extrema direita, principalmente com a alavanca da desinformação/fake news e uso de estratégias de disseminação por meio de redes sociais, provoca a capacidade dos regimes democráticos de se manterem estáveis e inclusivos. Lenin, em sua obra O Estado e a Revolução (1917) , argumenta que a democracia no capitalismo não é genuinamente democrática. Ela não é mais que uma forma política que, embora forneça certos direitos e liberdades, serve, na essência, aos interesses da classe dominante. “O Estado é o produto e a manifestação do caráter inconciliável das contradições de classe. O Estado surge precisamente onde, quando e na medida em que as contradições de classe objetivamente não podem ser conciliadas.” A pergunta para o futuro das democracias, portanto, se torna ainda mais relevante. Uma vez que o Estado não é um instrumento neutro, mas sim uma manifestação das contradições de classe, as democracias ao redor do mundo, imersas no auge do capitalismo tardio, perpetuam o mecanismo de manutenção do poder da burguesia para a dominação das massas populares. Seu modelo de sistema de governo não só aparenta está cada vez mais sucumbindo a reprodução de novos formatos de desigualdade escancarada a classe trabalhadora. As democracias liberais não são capazes de se aproximarem da ideia de igualdade, mas se tornaram campos de batalha onde somente as elites ganham.  Isso significa que os interesses poderosos, as corporações e o mercado financeiro prevalecem sobre as necessidades reais do povo. E é somado as ações de governos de direita, sob o disfarce de "restaurar a ordem", crescem. À medida que a extrema direita ganha espaço, torna-se cada vez mais evidente que o modelo democrático atual está longe de ser ideal. É um ataque quase combinado: começa com a polarização, as fakes news  e a criminalização de movimentos populares, até chegar ao convencimento de uma população marginalizada que a democracia existe para todos, quando na verdade serve apenas para consolidar o poder nas mãos de uma minoria. O futuro não só pode como deve ser diferente, pois vimos que a juventude desempenha um papel fundamental nesse processo de agitação política . Sendo o motor de uma revolução que visa romper com a passividade das massas e despertar nelas a necessidade de uma ação coletiva, ao se engajar desde cedo nas lutas sociais e políticas, estes podem mudar profundamente o que se espera para os próximos anos, alimentando um movimento que vai além da resistência, mas que busca a transformação radical das condições materiais de vida. Texto escrito por Jeane Queiroz É jornalista e pós-graduanda em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação. Orgulhosa "fã de carteirinha" de K-pop, fundou o coletivo Liga Comunarmy, que une fãs do grupo sul-coreano BTS focados em disseminar a perspectiva da luta de classes através do incentivo e análises das músicas da banda. Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme V.G. Fontes Livros: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1917/08/estadoerevolucao/cap1.htm#s1 Links: https://revistakoreain.com.br/2024/12/lei-marcial-na-coreia-do-sul-entenda-o-que-ocorreu-no-pais-ate-a-suspensao-da-medida/?utm_source=chatgpt.com https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/coreia-do-sul-yoon-suk-yeol-comparece-ao-julgamento-de-impeachment/ https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/saiba-o-que-e-lei-marcial-medida-decretada-na-coreia-do-sul/ https://fastcompanybrasil.com/news/cultura-k-pop-inspira-manifestantes-pelo-impeachment-do-presidente-da-coreia/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia#:~:text=Democracia%20 (do%20em%20grego%20cl%C3%A1ssico,em%20sua%20popula%C3%A7%C3%A3o%20em%20geral. https://www.v-dem.net/documents/48/v-dem_dr_2024_portuguese.pdf https://operamundi.uol.com.br/opiniao/48118/losurdo-revolucao-de-outubro-e-democracia-no-mundo https://www.brasildefato.com.br/2021/10/12/fascismo-esta-na-raiz-do-bolsonarismo-diz-coordenador-do-observatorio-da-extrema-direita/ https://www.brasildefato.com.br/2021/09/09/deus-patria-familia-bolsonaro-usa-lema-da-acao-integralista-brasileira-em-carta-a-nacao/ https://veja.abril.com.br/mundo/protestos-que-reunem-mais-de-300-mil-na-grecia-tem-pedradas-e-confrontos-com-policia https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2025/02/7072959-grecia-manifestantes-entram-em-confronto-com-a-policia.html https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2023/05/direita-no-poder-vence-eleicoes-na-grecia.ghtml https://www.politico.eu/article/greek-government-spying-regulators-wiretapping-predatorgate-scandal/ https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2023/06/26/mitsotakis-inicia-segundo-mandato-na-grecia-com-promessa-de-reformas.htm https://www.poder360.com.br/poder-internacional/protestos-na-grecia-relembram-desastre-ferroviario-de-2023/ https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/milhares-de-pessoas-protestam-na-grecia-por-acidente-ferroviario/ https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-04/conselho-leva-onu-alerta-sobre-avanco-do-neonazismo-no-brasil https://www.brasildefato.com.br/2022/04/09/cidades-registram-atos-contra-o-governo-bolsonaro-e-o-aumento-dos-precos-acompanhe/

  • CELAC: Um sonho de integração ainda não realizado

    “Sim, participarei da reunião da CELAC” Brasil retornou ao bloco em 2023 (Reprodução) Essa foi a resposta da presidente do México, Claudia Sheinbaum, a um jornalista no mês passado. Coincidentemente, na mesma semana, o Google Trends registrou um pico inédito nas buscas pela palavra, com os maiores interessados provenientes de países da América Central , como Honduras, Nicarágua e Cuba. A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC)  é um bloco intergovernamental composto por 33 países da América Latina e do Caribe.  Criada em 2010 e oficializada em 2011, sua principal missão é promover a integração regional e fomentar o diálogo político, econômico e social entre seus países-membros. O Brasil desempenhou um papel fundamental como articulador na criação do bloco,  reforçando sua importância na integração regional. No entanto, o país se afastou por quatro anos devido a uma decisão ideológica do ex-presidente Jair Bolsonaro , que optou pela retirada. Em 2023, o Brasil retomou sua participação, reafirmando seu compromisso com o bloco. Os desafios da integração do bloco A criação da CELAC destacou-se por sua  ambiciosa proposta de unir 33 países com o objetivo de fomentar o diálogo político, a concertação e a cooperação regional. Sua agenda abrangente  inclui temas cruciais, como segurança alimentar e energética, saúde, inclusão social, desenvolvimento sustentável, transformação digital e infraestrutura  voltada para a integração regional. No entanto, as divergências entre os países latino-americanos e caribenhos, especialmente de natureza política, rapidamente se tornaram um desafio  significativo para que o bloco atingisse seu propósito inicial. A reunião extraordinária  mencionada no início deste artigo, havia sido convocada em resposta às deportações em massa pelo endurecimento da política migratória do presidente estadunidense Donald Trump . No entanto, foi cancelada um dia antes,  evidenciando os obstáculos enfrentados pelo bloco em sua busca por unidade e cooperação. A presidente de Honduras, Xiomara Castro, que também é a atual presidente da CELAC , informou em nota que a reunião foi cancelada porque: "(Alguns países-membros) privilegiaram outros princípios e interesses diferentes aos de unidade da região latino-americana e caribenha". A presidente hondurenha, Xiomara Castro, é a atual presidente da CELAC (Reprodução) Os países-membros mencionados por Castro são a Argentina, liderada por Javier Milei, e El Salvador, governado por Nayib Bukele . Ambos os presidentes, conhecidos por sua aliança com Trump , atuaram nos bastidores para desmobilizar a reunião do bloco, que segue sem uma nova data definida para ocorrer. Política migratória do segundo mandato de Donald Trump foi o motivo principal da reunião extraordinária convocada pela CELAC (Reprodução) A CELAC continua sendo um sonho não concretizado para a integração da América Latina e do Caribe , uma promessa que, desde sua criação, parece destinada a não se cumprir. Apesar dos discursos que enfatizam a importância da integração regional, falta vontade política por parte dos países-membros.  Essa ausência de compromisso reflete-se na atuação quase inexpressiva do bloco diante dos desafios regionais enfrentados. A integração regional,  em um mundo global que enfrenta desafios econômicos e ambientais crescentes, é mais do que uma opção: é uma necessidade urgente. Cabe aos países-membros transformar palavras em ações concretas, para que a CELAC possa, finalmente, desempenhar o papel essencial para o qual foi criada: promover a integração da América Latina e do Caribe. Quem sabe um dia… Katiane Bispo , é feminista, formada em Relações Internacionais com especialização em Políticas Públicas e Projetos Sociais. Já atuou em inúmeros projetos de defesa aos Direitos Humanos, Gênero e Educação. Uma curiosa por essência e teimosa por sobrevivência. É podcaster no programa "O Historiante", colunista no Portal Águia. Instagram: @uma_internacionalista Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme V.G. Fontes http://portal.mec.gov.br/encceja-2/480-gabinete-do-ministro-1578890832/assessoria-internacional-1377578466/20742-comunidade-dos-estados-latino-americanos-e-caribenhos-celac https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/mundo/sheinbaum-confirma-presenca-em-reuniao-da-celac-e-ve-acordo-colombia-eua-como-positivo/ https://www.cnnbrasil.com.br/politica/celac-o-que-e-o-grupo-que-reune-paises-da-america-latina-e-caribe/ https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/retorno-do-brasil-a-celac

  • A visão estereotipada sobre o continente africano

    A percepção distorcida de que a África é um continente homogêneo , onde todos os países e culturas são iguais, é um problema antigo  que continua a persistir entre muitos estrangeiros, especialmente em pessoas da América do Norte e da Europa. Em geral, quando indivíduos de alguns países europeus e americanos se referem a assuntos relacionados aos países africanos, costumam usar expressões como “aconteceu na África” ou “viajou para a África”, deixando de lado a menção ao país especifico.  Esse ponto de vista estereotipado decorre de uma falta de compreensão e ignorância sobre a natureza diversa e multifacetada do continente africano. Uma das principais razões para esse equívoco é a exposição limitada que muitos indivíduos têm às culturas e sociedades africanas. Essa limitação começa nas escolas e universidades, onde pouco ou nada se ensina sobre os países africanos. Além disso, as representações da mídia frequentemente se concentram em estereótipos negativos , como pobreza, conflitos e doenças, reforçando ainda mais a ideia de uma África homogeneizada. Além disso, o legado colonial das potências europeias, que dividiram o continente sem considerar as fronteiras tribais existentes, contribuiu para a falsa noção de que a África é uma entidade única. Adicionalmente, as lideranças africanas têm contribuído, de forma indireta, para essa visão distorcida do continente . Isso ocorre porque,  muitas vezes, em conferências entre estados africanos e países europeus ou americanos, os países africanos apresentam-se como um único bloco   reunido com outro estado. Exemplos recentes incluem  conferências de cooperação econômica, como Rússia-África (27 e 28 de julho de 2023), EUA-África (6 a 9 de maio 2024), China-África (4 a 6 de setembro 2024). Embora seja inegável a importância dessas conferências - que tratam de temas como industrialização, desenvolvimento sustentável, segurança, trocas comerciais e investimento, buscando aproximar os diferentes estados soberanos -, para pessoas menos informadas dos países onde esses encontros ocorrem, a ideia da homogeneidade do continente africano acaba sendo reforçada.   Há também fatores históricos e culturais , como a colonização generalizada do continente  por várias potências europeias, que contribuíram para a visão simplificada e homogeneizada da África . O imperialismo, focado na exploração econômica e política da África pelos países europeus, reforçou ainda mais a ideia de que o continente era uma  entidade única e monolítica. Quando estrangeiros acreditam que a África é uma entidade singular com características uniformes, e les ignoram a vasta diversidade de etnias, línguas, histórias e tradições que existem dentro de suas fronteiras.  Essa perspectiva simplificada resulta na incapacidade de apreciar a riqueza e a complexidade das sociedades africanas, reduzindo-as a uma identidade monolítica e unidimensional. Fonte: Wikimedia Commons Ao ampliarmos nossa visão sobre este lindo continente, composto por 54 Estados soberanos , e nos aprofundamos em sua essência,  podemos constatar sua extraordinária diversidade cultural, representada por mais de 2.000 línguas nativas , inúmeras  tradições, uma beleza natural rica em savanas, desertos, cascatas, rios, montanhas e praias deslumbrantes. Além disso, o continente abriga uma vasta e diferenciada fauna e flora , bem como demonstra uma admirável resiliência e hospitalidade em relação aos visitantes. Infelizmente, a África ainda enfrenta inúmeros desafios que contribuem para sua percepção negativa, como altos níveis de pobreza e desigualdade em quase todos os países, conflitos e instabilidade politica , o que alimenta medo,  desconfiança  e reforça  preconceitos ou estereótipos sobre seus habitantes. Exemplos disso são a visão da África como um continente "atrasado" ou "selvagem".  É essencial  reconhecer e desafiar essas percepções, promovendo uma compreensão mais informada e respeitosa sobre a  diversidade e a complexidade do continente africano. Apesar dos desafios, muitos países africanos estão experimentando desenvolvimento e progresso consideráveis. Exemplos notáveis incluem Ruanda, África do Sul, Namíbia, Etiópia, Egito, Marrocos e Tunísia, entre outros.  Para alcançar esse desenvolvimento, diversos países africanos contam com o apoio de bancos regionais ou continentais, como o Afreximbank e o Banco Africano de Desenvolvimento , cuja principal missão é  promover a transformação das sociedades, economias e melhorar a qualidade de vida das populações do continente. Fonte: raizdosambaemfoco.wordpress.com É importante destacar que as dificuldades e desafios enfrentados pela África também oferecem várias oportunidades para investimento, comércio e cooperação , criando um ambiente promissor para iniciativas sustentáveis e mutuamente benéficas. Apresento aqui alguns fatos interessantes sobre o continente africano: Localização : A África está localizada no hemisfério oriental, entre os oceanos Atlântico, Índico e Mediterrâneo. Tamanho : O continente africano tem uma área de aproximadamente 30,3 milhões de km², sendo o terceiro maior continente do planeta, cobrindo cerca de 20% da área total da Terra. É um espaço  r ico em diversidade cultural, linguística, geográfica e biológica. Países : A África é composta por 54 países ou estados independentes. População : De acordo com estimativas mais recentes, a população da África é de cerca de 1,5 bilhão de pessoas, o que representa cerca de 15% da população mundial. Línguas : M ais de 2.000 línguas são faladas no  continente africano , o que representa cerca de 30% das línguas faladas no mundo. Culturas : A África é o berço de uma rica diversidade cultural, abrigando muitas civilizações e impérios históricos, como o Egito Antigo, a Núbia  ( uma região situada no vale do rio Nilo ) e o Império do  Mali. Geografia : O continente é caracterizad o  por uma grande variedade de paisagens, incluindo savanas, desertos, montanhas e florestas tropicais. Biodiversidade : A África abriga uma incrível biodiversidade, com inúmeras e spécies de animais e plantas que não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo. Para realmente entender e apreciar a África, é essencial reconhecer e celebrar sua diversidade.  Cada país do continente tem sua própria história, costumes e tradições únicas que moldam sua identidade. Ao reconhecer e respeitar as particularidades de cada nação africana, estrangeiros podem deixar para trás a visão ultrapassada de que a África é um continente monolítico  e, em vez disso, abraçar a riqueza de suas diversas e vibrantes culturas. Isaac Jorge  - É licenciado no Curso de Relações Internacionais pela Universidade Privada de Angola e trabalhou durante alguns anos na Missão Diplomática da República de Angola em Pretória - África do Sul. Além a experiência diplomática, nos últimos 18 anos tem estado ligado a atividade bancária, tendo assumido várias responsabilidades tais como Subdiretor na Direção de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, onde desenvolveu-se estudos para internacionalização do banco. Foi chefe de Departamento da banca de investimentos e Chefe de Departamento da Direção de Organização e Qualidade. Tem estado ligado a diferentes projetos de desenvolvimentos e de melhorias de produtos e serviços bancários e na formação de técnicos trabalhadores. É amante de esportes, principalmente o futebol. Revisão: Eliane Gomes Edição: João Guilherme Referencias https://www.worldometers.info/world-population/africa-population/ https://www.afdb.org/pt https://www.afreximbank.com/ https://www.queroviajarmais.com/category/africa/

  • Revés da Extrema-Direita no Brasil

    No dia 18 de fevereiro deste ano, a Procuradoria Geral da República apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas . Bolsonaro foi acusado de crimes relacionados a um plano de golpe de Estado para impedir Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de assumir o poder após as eleições de 2022. Foto de Marcello Casal Jr/ Agência Brasil. A denúncia detalha uma série de crimes graves , incluindo tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, danos contra o patrimônio da União e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Enquanto em vários países a extrema-direita tem conquistado espaços de poder e voz na política, aqui em terras brasileiras, felizmente, a onda fascista sofreu um revés pesado com a denúncia meticulosamente elaborada, que envolve não só Bolsonaro como diversos atores do fracassado golpe de 2022. Tendo em vista a recente vitória de Donald Trump nas eleições estadunidenses, a onda de novos líderes políticos de extrema-direita na Europa e os abusos de poder do governo fascista de Israel, é uma notícia animadora ver um ex-presidente dessa ala ser indiciado pelo sistema judiciário, com a possibilidade de pegar até 30 anos de prisão caso seja condenado . O Plano do Golpe Bolsonaro, durante seu governo, negligenciou a ciência e as vacinas contra a COVID-19 , acenou para o neonazismo , inflamou uma suposta “guerra cultural”  e diversas vezes ameaçou realizar um golpe de estado no Brasil , com o intuito de destruir as raízes democráticas da república . Seu mandato foi marcado pela crise de saúde mais grave da história recente do país, com mais de 690 mil mortos pela COVID-19, mortes que poderiam ter sido evitadas com um gerenciamento estatal mais responsável e mais humano, apoiado na ciência e na tecnologia. Foto de: Leonardo André/Alagoas, retirada da página do MST. Porém, não contente, o ex-presidente e seus aliados tentaram desacreditar o processo eleitoral brasileiro e criar um ambiente favorável para uma intervenção militar . Durante o ano de 2022 inteiro, o chamado “gabinete do ódio” , um grupo de assessores de Jair Bolsonaro, que operavam no Palácio do Planalto e eram coordenados por ele e seu filho, Carlos Bolsonaro, foram responsáveis por orientar as redes sociais do ex-presidente e disseminar notícias falsas para atacar adversários políticos e desestabilizar o processo democrático no Brasil. O grupo foi inicialmente revelado pela deputada Joice Hasselmann em 2019 , que descreveu a existência de uma "milícia virtual"  que utilizava perfis falsos em redes sociais para difundir fake news . As investigações da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmaram a existência do "gabinete do ódio" e sua atuação na propagação de notícias falsas e ataques a instituições democráticas. O projeto de gerar fake news  tinha como objetivo manipular a opinião pública e criar um ambiente de desconfiança   em relação ao processo eleitoral e às instituições democráticas. As fakes news  disseminadas pelo grupo incluíam informações falsas sobre urnas eletrônicas, vacinas e outros temas sensíveis. A atuação do "gabinete do ódio" foi considerada uma ameaça significativa à democracia brasileira , comprometendo a transparência e a integridade do processo democrático. Charge do Nani ( Nanihumor.com ) Esse processo, por fim, culminou numa tentativa de golpe de estado , que tinha como objetivo assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.  Esse plano foi denominado "Punhal Verde e Amarelo" e foi elaborado por membros da organização criminosa liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano envolvia o monitoramento das rotas e a utilização de recursos bélicos para executar os assassinatos. O general Mário Fernandes, secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, foi identificado como o autor do esboço criminoso e teria informado Bolsonaro sobre o plano em duas ocasiões . Além disso, a Polícia Federal (PF) coletou provas, como registros de entrada em prédios públicos, localização por satélite e mensagens interceptadas, que indicam o conhecimento e a anuência de Bolsonaro em relação ao plano. A denúncia da PGR também menciona a tentativa de cooptação das Forças Armadas para apoiar o golpe, mas encontrou resistência entre os militares, o que impediu a concretização do plano. Em suma, o alto comando não quis participar do golpe pois não via probabilidade de sucesso. 8 de Janeiro e as Consequências da Campanha de Desinformação Além de abordar o envolvimento de Jair Bolsonaro na tentativa de golp e, a denúncia da PGR não deixa dúvidas sobre a conexão direta do ex-presidente com os ataques de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes da República . Naquele dia, uma horda de apoiadores radicais de Bolsonaro, furiosos com a eleição e posse do presidente Lula, invadiu e devastou o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, essa ação violenta foi instigada e facilitada pela organização criminosa liderada por Bolsonaro . O grupo é responsabilizado por atos que atentam à ordem democrática, com o objetivo claro de romper a ordem constitucional, impedir o funcionamento dos Poderes e desafiar o Estado de Direito Democrático. A denúncia ainda aponta que a destruição causou prejuízos financeiros superiores a R$ 20 milhões. Os envolvidos estão inclusive já sendo responsabilizados por suas ações devastadoras contra a democracia brasileira. Um exemplo é Maria de Fátima Mendonça Jacinto Souza, conhecida como "Fátima de Tubarão", foi condenada a 17 anos de prisão por sua participação nos eventos golpistas. Ela foi condenada pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada. É inegável que a investigação levou um período considerável de tempo para reunir provas suficientes de forma que não haja chance do ex-presidente e a organização terrorista que ele lidera saírem impunes. Porém, é urgente que ocorra um julgamento rápido e certeiro, para que nossas próximas eleições de 2026 não sejam marcadas por elementos da extrema-direita se radicalizando e tentando um novo golpe de estado . Esse processo deve ser educativo e exemplar, um verdadeiro golpe no orgulho da extrema-direita no cone sul da América. Texto escrito por Eliézer Fernandes Fundador e editor-chefe do Portal Águia, é desenvolvedor de software, podcaster, formado em Segurança da Informação pela FATEC e fascinado por história e relações internacionais. Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme Fontes https://mst.org.br/2022/10/06/17-escandalos-de-corrupcao-do-governo-bolsonaro/?form=MG0AV3 https://mst.org.br/2021/09/29/7-escandalos-de-corrupcao-do-governo-bolsonaro/?form=MG0AV3 https://www.cartacapital.com.br/politica/governo-bolsonaro-acumula-escandalos-de-corrupcao-confira-os-principais/?form=MG0AV3 https://g1.globo.com/politica/noticia/2024/11/23/prints-fotos-e-videos-veja-a-cronologia-da-tentativa-de-golpe-de-estado.ghtml?form=MG0AV3 https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/12/03/golpe-da-ditadura-militar-e-fracasso-de-2022-podem-ser-comparados.htm?form=MG0AV3 https://tribunadaimprensalivre.com/documento-do-stf-explica-como-funciona-o-gabinete-do-odio/?form=MG0AV3 https://www.cnnbrasil.com.br/politica/em-decisao-stf-classifica-gabinete-do-odio-como-associacao-criminosa/?form=MG0AV3 https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqx0j11p9gzo

  • Trump e Zelensky: Conflito na Casa Branca ganha destaque na mídia mundial

    Bate-boca entre Trump e Zelensky na Casa Branca coloca em xeque acordos que seriam assinados na tarde desta sexta-feira (28). Líderes europeus saem em defesa de Zelensky. Confira o vídeo de como a discussão começou. Assine nossa newsletter e fique por dentro de todos nossos artigos em primeira mão!

  • A inclusão da cultura nas políticas do G20

    O Brasil, através do Ministério da Cultura (MinC) , mostra que a cultura é economia e, mais do que isso, é a base para o diálogo e a cooperação entre as nações. Confira neste artigo como foi a inclusão da cultura e seus temas, que resultaram na  “ Declaração de Salvador da Bahia dos Ministros da Cultura do G20 ”. Fonte: https://iree.org.br/g20-no-brasil-contexto-e-principais-debates/ O G20 foi criado em 1999 e é um fórum de cooperação econômica internacional que reúne as principais economias do mundo. O objetivo é fortalecer a economia internacional e debater temas importantes para o desenvolvimento socioeconômico global. Chefes de Estado e representantes de 18 países membros do grupo, além da União Africana e União Europeia, se reuniram nos dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro, na Cúpula dos Líderes do G20, tendo o Brasil como presidente rotativo. Fonte: http://surl.li/jybkyi Fazem parte do G20: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Africana e União Europeia. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 27, a cultura é um direito como todos os outros:   “Toda pessoa tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade.” Entretanto, a cultura não tinha o mesmo espaço na agenda do G20, o que começou a mudar nos últimos encontros. Na Assembleia Geral da ONU, de 19 de dezembro de 2019, foi promulgado a Resolução 74/230, que versa sobre cultura e desenvolvimento sustentável. Na mesma Assembleia, foi declarado o ano de 2021 como Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável. Desde 2020, os países integrantes do G20 passaram a dar mais atenção aos debates sobre a importância da cultura na construção das relações internacionais, a capacidade de promover mais respeito entre os povos, além de maior inclusão e desenvolvimento sustentável. Declaração de Roma Uma prova da importância da cultura no centro de poder global é a Declaração de Roma dos Ministros da Cultura do G20 (2021) , que integra a cultura nas perspectivas de trabalho do grupo, com uma visão multidisciplinar , o que coloca o tema de forma transversal nas discussões sobre economia, trabalho, meio ambiente, tecnologia e educação, etc. Na Declaração de Roma, foram estabelecidos alguns princípios norteadores , onde há entendimento dos setores culturais e criativos como impulsionadores da regeneração e do crescimento sustentável e equilibrado. É importante relembrar que estas decisões foram tomadas no período ainda agudo da COVID-19, sendo o setor cultural um dos mais afetados pelo colapso sanitário global. Fonte: http://surl.li/osmmay Se destacam também na Declaração, temas como a proteção do patrimônio cultural, a abordagem da cultura para lidar com as mudanças climáticas, capacitação por meio de treinamento e educação, e a transição digital e novas tecnologias para a cultura. Declaração de Nova Delhi Em 9 de setembro de 2023, o Grupo dos G20 aprovou a Declaração de Líderes com uma inserção mais forte da cultura nos compromissos de políticas dos países membros. No parágrafo denominado “ Cultura como Condutor de Transformação dos ODS ”, o Grupo de Trabalho de Cultura, que teve a UNESCO como Parceira de Conhecimento , conseguiu um reconhecimento dos países da importância do retorno de bens culturais aos países de origem, reforçando a Convenção da Unesco de 1970 . Na reunião dos Ministros da Cultura daquele ano, foi assinado um documento intitulado “ Kashi Culture Pathway ”, sendo um conjunto de compromissos dos países para possibilitar o retorno e a restituição dos bens culturais como um imperativo ético da justiça social, a valorização da contribuição das comunidades locais e dos patrimônios vivos para o desenvolvimento sustentável, o investimento em indústrias culturais e criativas, e a utilização da transformação digital para proteger e promover a cultura. O Manto Tupinambá é apenas um dos inúmeros exemplos dessa mudança de paradigma na cultura e nas relações internacionais. O artefato indígena é considerado sagrado e foi levado à Europa em 1644, permanecendo exposto no Museu da Dinamarca até julho de 2024, quando foi repatriado. Na cerimônia do retorno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância do fato: “O momento de hoje é sumamente extraordinário para que a gente reflita sobre o que acontece no nosso Brasil, desde a descoberta deste país, com os povos indígenas. O retorno do Manto para o Brasil representa a retomada de uma história que foi apagada, uma história que precisa ser contada e preservada, assim como esse manto que muitos indígenas só conhecem pela memória de seus ancestrais." A Declaração de Nova Delhi também reforça a economia criativa como um motor para o crescimento inclusivo, onde os países pediram que a cultura tenha um papel maior na agenda de desenvolvimento global pós-2030 . A cooperação multilateral e o papel da cultura para resolver problemas globais contemporâneos também foram destaque no texto final. Declaração de Salvador da Bahia dos Ministros da Cultura do G20 A 19ª reunião da cúpula do G20 finalizou com uma Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza , com propostas para erradicar a fome até 2030 , e também com a criação do G20 Social, que abriu espaço para a sociedade civil debater com os GTs. Mas não foi só isso. O GT de Cultura, formado pelos ministros da pasta do G20, criou um documento de referência para futuras negociações na área cultural e sua transversalidade na economia, educação e afins. O Grupo de Trabalho de Cultura do G20 se reuniu entre 4 e 8 de novembro, em Salvador, na Bahia. Estavam presentes mais de 120 autoridades , entre eles ministros, secretários e representantes de países-membros, como Alemanha, Índia, Japão e Arábia Saudita. O texto dos debates possui diretrizes para orientar políticas culturais e ambientais globais. Fonte: http://surl.li/mdqcqy A palavra-chave é integração. A Carta da Bahia é um esforço coletivo para fortalecer políticas culturais integradas ao meio ambiente, à inovação tecnológica (Inteligência Artificial e propriedade intelectual) e à preservação de patrimônios culturais nacionais. Margareth Menezes, Ministra da Cultura, afirmou na reunião: “Esse documento consagra valores, princípios e diretrizes construídos de forma colaborativa, reafirmando nosso compromisso com inclusão, participação social e acessibilidade para o pleno exercício dos direitos culturais.” Indicando que o compromisso com a Carta reflete o consenso de diversas nações sobre a importância da cultura na construção de uma sociedade global mais inclusiva. As negociações da Carta tiveram o esforço de muitas equipes negociadoras de todo o país, reforçando a importância da cultura na renovação do sistema multilateral, uma base para o diálogo e a cooperação entre os países. Isso fica notório na Declaração dos Líderes do G20 do Rio de Janeiro, em parágrafo específico: “ Nós reconhecemos o poder e o valor intrínseco da cultura no fomento à solidariedade, ao diálogo, à colaboração e à cooperação, promovendo um mundo mais sustentável, em todas as suas dimensões e de todas as perspectivas. Comprometemo-nos com os princípios de inclusão, participação social e acessibilidade, para o pleno exercício dos direitos culturais, enfrentando o racismo, a discriminação e o preconceito, e fazemos um apelo por um engajamento global fortalecido e eficaz no debate sobre direitos autorais e direitos conexos no ambiente digital e os impactos da inteligência artificial sobre os detentores de direitos autorais. Nós encorajamos os países a aprimorarem a cooperação, a colaboração e o intercâmbio internacionais para o desenvolvimento da economia criativa. Nós reafirmamos nosso compromisso com as convenções relevantes da UNESCO. Nós reafirmamos nosso compromisso de apoiar políticas que promovam a contribuição daqueles que trabalham nos setores de cultura, artes e patrimônio e fazemos um apelo aos países para fortalecerem a cooperação e o diálogo, abordando os direitos sociais e econômicos e a liberdade artística, tanto online quanto offline, em conformidade com os marcos de direitos de propriedade intelectual e as normas internacionais de trabalho, visando à melhoria do pagamento justo e a condições de trabalho dignas. Nós encorajamos o fortalecimento da proteção do patrimônio cultural, incluindo monumentos históricos e locais religiosos. Nós fazemos um apelo pelo apoio a um diálogo aberto e inclusivo sobre o retorno e a restituição de bens culturais, incluindo bens exportados ilegalmente, com base em uma ampla perspectiva histórica que renove as relações entre os países e permita mecanismos alternativos de resolução de disputas, quando apropriado. Nós reconhecemos a crescente apreciação do valor do retorno e da restituição de bens culturais para os países e comunidades de origem, com base no consentimento entre as partes relevantes.”   (Declaração dos Líderes do G20, Rio de Janeiro, 2024) O grupo reconheceu o crescimento do peso econômico da Economia Criativa , com o incentivo de cooperação internacional que amplia os mercados culturais e fortalece a classe artística . Temas como a acessibilidade, combate ao racismo e trabalho digno foram reforçados nessa discussão. A transversalidade da cultura não ficou de fora de um tema delicado: o meio ambiente. No Seminário Internacional Cultura e Mudanças Climáticas, 11 painéis debateram temas como a criação de setores culturais ambientalmente responsáveis , que se preocupam com: emissões de carbono, justiça climática para artes e cultura e o poder das artes e da cultura para a mobilização social pró-clima. O Brasil copreside, ao lado dos Emirados Árabes Unidos, o Grupo de Amigos da Ação Climática Baseada na Cultura, e será sede da COP 30, em Belém (2025). O diálogo aberto sobre o retorno de bens culturais e o combate ao tráfico de bens culturais ganhou continuidade, com o reforço do direito à memória e a proteção do patrimônio cultural, material e imaterial. Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, citou o caso do manto sagrado dos Tupinambás, item ancestral devolvido ao Brasil recentemente (2024). A complexa relação entre tecnologia e os desafios contemporâneos foi tema das reuniões, com os impactos da inteligência artificial na diversidade cultural e nos direitos autorais. O tema precisou da persistência do Brasil nas negociações para que entrasse na agenda de forma definitiva. Mudança importante, com atraso Agora o Brasil passa a presidência do G20 para a África do Sul, com a inserção da cultura no topo da agenda , pela sua característica transversal e capacidade de aproximar os países. Os temas tratados pelo GT de Cultura são importantes e carecem de maior atenção pelas lideranças globais , pois a cultura é um tema fundamental na estratégia de uma solução sustentável e verdadeira. O resultado da Carta da Bahia e a Declaração dos líderes do G20 serão, sem dúvida, bases para o próximo Mondiacult, a Conferência Mundial da Unesco sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável , a ser realizada em 2025, em Barcelona (Espanha). Apesar da inserção da cultura na política do G20, é notório que o esforço por parte dos países do Sul global sofreu resistência, seja por parte dos países do Norte global, como por parte da própria opinião pública, que não reconhece ainda o Direito à Cultura como um direito universal. Fonte: CNN É necessário ampliar os debates sobre o papel da cultura no desenvolvimento sustentável, bem como na busca pela paz e justiça climática. Isso só se dará com políticas públicas efetivas e a intensa participação social, reforçando a transversalidade e a multidisciplinaridade, características que fazem da cultura uma importante área de potência e não de conflito. Por fim, o Brasil retorna aos palcos das negociações internacionais na área cultural , mostrando habilidade e pioneirismo em temas e abordagens mais criativas sobre os problemas globais. Resta saber os desdobramentos dessas discussões fora do território do Sul global. Texto escrito por Josué Kenji   formado em Relações Internacionais, produtor cultural e pós-graduando em gestão Cultural, desenvolvimento e mercado. É co-organizador do "Festival da Criatividade Cria Bauru 2020" desde 2020, criador da "Comunidade Criativa Cria Bauru", articulador criativo da "Rede Bauru: Cidade Criativa Unesco", está membro do "Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação (2022-2024)" na cadeira de Sociedade Civil e atualmente é colunista do Portal Águia. Revisão: Eliane Gomes Edição: Felipe Bonsanto REFERÊNCIAS https://www.unesco.org/pt/articles/unesco-enaltece-o-compromisso-do-g20-em-priorizar-cultura-na-formulacao-de-politicas https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/um-g20-de-avancos-para-a-cultura https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/culturag20/cultura-no-g20 https://www.g20.org/pt-br/trilhas/trilha-de-sherpas/cultura https://www.g20.org/pt-br/documentos/declaracao-de-lideres-do-g20-brasil https://jornalgrandebahia.com.br/2024/11/g20-na-bahia-carta-de-salvador-define-diretrizes-para-politicas-culturais-e-sustentaveis-globais/ https://www.g20.org/pt-br/noticias/boletim-g20/boletim-g20-ed-199-economia-criativa-e-diversidade-cultural-guiam-discussoes-do-g20-no-rio https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-03/grupo-de-cultura-do-g20-vai-debater-diversidade-e-ambiente-digital https://jornal.unesp.br/2024/11/17/reuniao-do-g20-comeca-segunda-feira-no-rio-de-janeiro/ https://jornal.usp.br/radio-usp/cupula-do-g20-no-brasil-destaca-avancos-em-temas-economicos-e-climaticos/ https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2024/11/cupula-do-g20-termina-com-criacao-da-alianca-global-contra-a-fome-e-a-pobreza https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/noticias/2024/novembro/cupula-do-g20-chega-ao-final-com-impressoes-digitais-da-sociedade-civil https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/g20-brasil-2024 https://www.itaucultural.org.br/secoes/observatorio-itau-cultural/declaracao-de-roma-propostas-dos-ministros-de-cultura-para-o-mundo https://www.unesco.org/pt/articles/ano-internacional-da-economia-criativa-para-o-desenvolvimento-sustentavel#:~:text=O%20ano%20de%202021%20foi,Assembleia%20Geral%20das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Unidas . https://portal-assets.icnetworks.org/uploads/attachment/file/100843/G20_declarac%CC%A7a%CC%83odeRoma.pdf https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2024/manto-tupinamba-governo-federal-celebra-retorno-do-artefato-sagrado-ao-brasil-e-reafirma-direitos-indigenas-como-uma-prioridade#:~:text=Nesta%20quinta%2Dfeira%20(12),de%20conquistas%20dos%20povos%20ind%C3%ADgenas . https://www.unesco.org/pt/articles/declaracao-de-nova-delhi-dos-lideres-do-g20-reafirma-cultura-como-uma-potencia-transformadora-para-o https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/declaracao-final-do-g20-destaca-cultura-como-uma-das-pautas-prioritarias https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/seminario-internacional-sobre-cultura-e-mudanca-do-clima-saiba-como-se-inscrever

  • A Estratégia por trás de “Ainda Estou Aqui”

    " Ainda Estou Aqui ", dirigido por Walter Salles, é um filme brasileiro que tem conquistado destaque no cenário cinematográfico internacional . Baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, a obra retrata a luta de Eunice Paiva , interpretada por Fernanda Torres , por respostas sobre o desaparecimento de seu marido (Rubens Paiva) durante a ditadura militar  no Brasil. O filme não é apenas uma homenagem à memória de Eunice Paiva, mas também uma reflexão sobre a resistência e a busca por justiça. Estratégia de Lançamento Fonte: Aventuras na História A estratégia de lançamento de " Ainda Estou Aqui " foi meticulosamente planejada para maximizar o impacto do filme. A estreia mundial ocorreu no prestigiado Festival de Veneza em 1º de setembro de 2024 , o que ajudou a criar um grande buzz  internacional. O lançamento no Brasil foi programado para 7 de novembro de 2024, permitindo que o filme fosse exibido em festivais e cinemas locais antes de sua distribuição internacional. A parceria com distribuidores internacionais, como a Sony Pictures Releasing, foi fundamental para garantir que o filme fosse lançado em diversos países, incluindo os Estados Unidos, França e Portugal. Essa estratégia permitiu que " Ainda Estou Aqui " alcançasse um público global e aumentasse suas chances de reconhecimento em premiações internacionais. Campanha Publicitária e Distribuição A campanha publicitária  de " Ainda Estou Aqui " foi robusta e multifacetada , especialmente nos Estados Unidos.  O marketing digital e o uso das redes sociais  foram cruciais para aumentar a visibilidade do filme. Campanhas nas redes sociais, trailers impactantes e entrevistas com o elenco e a equipe  ajudaram a criar um burburinho significativo ao redor do filme. Além disso, a Sony Pictures Releasing produziu uma campanha publicitária na TV aberta dos EUA, o que aumentou ainda mais a visibilidade do filme. O filme estreou em 17 salas em janeiro de 2025 e, após receber três indicações ao Oscar, saltou para 97 salas e, posteriormente, para 500 salas.  Isso é inédito para uma produção brasileira  e demonstra o sucesso da estratégia de distribuição e promoção. Uma campanha publicitária bem executada e uma distribuição estratégica podem ter um impacto profundo no sucesso de uma produção cinematográfica. No caso de " Ainda Estou Aqui ", a visibilidade aumentada e a exposição em mercados chave ajudaram a atrair uma audiência maior e a aumentar as chances de reconhecimento por críticos e jurados de premiações internacionais. Festivais de cinema e premiações, como o Oscar , muitas vezes consideram a presença e a recepção do filme em diferentes mercados e plataformas, tornando a campanha publicitária e a distribuição elementos cruciais para o reconhecimento e sucesso global do filme. Recepção do Público e Resultados As estratégias de lançamento e distribuição da obra se mostraram eficientes pelos números de exibição e bilheteria. Na 12ª semana de exibição do filme, mais de 4 milhões de pessoas já assistiram a produção, isso apenas no Brasil. Fonte: Imp Awards Nos Estados Unidos, o longa estreou em 17 de janeiro de 2025. Após as indicações ao Oscar de Melhor filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz no dia 23 de janeiro, o número de salas exibindo a obra saltou de 5 (semana de estreia) para 700 salas (dados de 10/02), batendo o recorde de Central do Brasil (144) e Cidade de Deus (108).  Os números foram catapultados pelos mais de 30 prêmios conquistados (nacionais e internacionais) , incluindo o Globo de Ouro  para Melhor Atriz em Filme Dramático (Fernanda Torres) e o Prêmio Goya  de Melhor Filme Ibero-Americano e o Prêmio APCA  (Associação Paulista de Críticos de Arte).  A recepção do público vai além das altíssimas notas no site agregador de críticas de filmes Rotten Tomatoes (96% pela Crítica e 98% pelo público) e 8,8/10 no IMDb ( Internet Movie Database ). O impacto do filme extrapola as telas do cinema e se materializa em discussões sobre o período da ditadura militar , memórias e política atual. José Carlos Moreira da Silva Filho, da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, citou a vitória de Fernanda pela atuação no filme que, segundo ele, “contribui para dimensionar o período da ditadura no Brasil". Essa potência da obra cinematográfica traz e fortalece a memória de Eunice Paiva , que batalhou em vida e morte pela vida e defesa dos povos indígenas , pela memória das vítimas da ditadura  e pela lembrança do que ocorreu com Rubens Paiva , desaparecido durante o período de violência política  que não se deve esquecer. Mas se engana quem acredita que o filme passaria ileso de polêmicas . Internautas resgataram uma esquete de comédia de 2008, em que Fernanda Torres fazia blackface (prática de pintar o rosto de preto ou marrom para representar pessoas negras de forma estereotipada). A artista veio a público se desculpar e dizer que a prática (blackface ) é inaceitável. Os internautas, porém, resgataram um outro caso parecido de Zoe Saldanha, atriz coadjuvante do filme “Emília Perez”, que, segundo os internautas, teria feito blackface em um filme de 2016. O embate escalou  quando Karla Sofía Gascon (Emília Perez), insinuou que a equipe de Fernanda Torres teria “falado mal dela e de Emília Perez”, em entrevista à Folha de São Paulo: “Para ressaltar o trabalho de uma pessoa não é necessário afundar o trabalho dos demais. Em nenhum momento, [alguém] me verá falando mal de Fernanda Torres ou do filme. Mas, por outro lado, há pessoas que trabalham com Fernanda Torres que falam mal de mim e de Emilia Pérez. Isso fala mais deles e de seu filme [‘ Ainda Estou Aqui ’] do que do meu”, concluiu. No âmbito nacional, perfis mais identificados com a direita política alegaram que o filme teria recebido recursos da Lei Rouanet , o que foi desmentido em nota técnica pelo Ministério da Cultura : “A obra é uma produção brasileira, em regime de coprodução internacional com a França e financiada com recursos próprios”, explicou. Até mesmo por suas características como um longa-metragem, a produção inspirada no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva não poderia se aproveitar da lei de incentivos .” (MinC, 2025). Conclusão Em suma, "Ainda Estou Aqui"  não é apenas um filme, mas um poderoso testemunho da luta por justiça e memória no Brasil.  A obra de Walter Salles, com a brilhante atuação de Fernanda Torres, transcende as telas e provoca reflexões profundas sobre a ditadura militar e suas consequências. A estratégia de lançamento e a campanha publicitária  meticulosamente planejadas garantiram que o filme alcançasse um público global,  conquistando prêmios e reconhecimento internacional . No entanto, a produção também enfrentou polêmicas, mostrando que a arte, muitas vezes, reflete e desafia as complexidades da sociedade. "Ainda Estou Aqui"  é, sem dúvida, um marco no cinema brasileiro , reafirmando a importância de lembrar e discutir nosso passado para construir um futuro mais justo e consciente. Texto escrito por Josué Kenji   formado em Relações Internacionais, produtor cultural e pós-graduando em gestão Cultural, desenvolvimento e mercado. É co-organizador do "Festival da Criatividade Cria Bauru 2020" desde 2020, criador da "Comunidade Criativa Cria Bauru", articulador criativo da "Rede Bauru: Cidade Criativa Unesco", está membro do "Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação (2022-2024)" na cadeira de Sociedade Civil e atualmente é colunista do Portal Águia. Texto escrito por Gustavo Longo Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos. Revisão: Eliane Gomes Edição:  João Guilherme Referencias https://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Salles?form=MG0AV3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelo_Rubens_Paiva?form=MG0AV3 https://variety.com/t/venice-film-festival/?form=MG0AV3 https://www.sonypictures.com/?form=MG0AV3 https://revistaquem.globo.com/entretenimento/series-e-filmes/noticia/2025/02/ainda- estou-aqui-e-eleito-o-melhor-filme-em-lingua-nao-inglesa-do-ano-no-dorian-awards.ghtml?form=MG0AV3 https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2025/02/7060440-ainda-estou-aqui-ganha-mais-um-premio-internacional.html?form=MG0AV3 https://d24am.com/plus/ainda-estou-aqui-e-eleito-o-melhor-filme-em-lingua-nao-inglesa-do-ano/?form=MG0AV3 https://gshow.globo.com/globoplay/noticia/ainda-estou-aqui-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-filme-que-acaba-de-chegar-aos-cinemas.ghtml?form=MG0AV3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Ainda_Estou_Aqui_%28filme_de_2024%29?form=MG0AV3 https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/01/31/ainda-estou-aqui-bate-4-milhoes-de-espectadores-no-brasil.ghtml https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/02/ainda-estou-aqui-e-exibido-em-700-salas-dos-eua-e-passa-dos-us-2-milhoes.shtml https://revistaquem.globo.com/entretenimento/series-e-filmes/noticia/2025/02/na-corrida-pelo-oscar-ainda-estou-aqui-ja-conquistou-mais-de-30-premios-veja-lista.ghtml https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/premio-apca-2024-divulga-vencedores-com-ainda-estou-aqui-e-mais-veja/ https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/19/internacional/1568918644_060063.html https://www.poder360.com.br/poder-midia/fernanda-torres-pede-desculpa-por-blackface-de-17-anos-atras/ https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/americanos-resgatam-blackface-de-fernanda-torres-e-brasileiros-mostram-zoe-saldana,779c87accc5ef184a930f6590bf1674ad7tmb5i4.html https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/karla-sofia-gascon-critica-equipe-de-fernanda-torres-falam-mal-de-mim/ https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/600405-ainda-estou-aqui-usou-recursos-da-lei-rouanet-entenda-falsa-polemica-sobre-o-filme.htm https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2025/01/ainda-estou-aqui-e-importante-para-dimensionar-a-ditadura-no-brasil-diz-vice-presidente-da-comissao-de-anistia-cm5lo5if300da0177oawrgx2r.html#:~:text=%22Ainda%20Estou%20Aqui%22%20%C3%A9%20importante,da%20Comiss%C3%A3o%20de%20Anistia%20%7C%20GZH https://www.jota.info/artigos/ainda-estou-aqui-indicacao-historica-ao-oscar-e-uma-vitoria-para-os-direitos-humanos

  • Minorias em perigo

    A menos de dois anos da publicação do artigo “Imigrantes LGBTQIAP+, uma dupla discriminação” , o assunto tornou-se pauta nos meios de comunicação tanto nos Estados Unidos quanto na Argentina, pois ambos os presidentes começaram a mudar  suas atitudes em relação às minorias.  Embora se saiba que  os diversos instrumentos de direitos humanos  aprovados pelos Estados não são suficientes para a população LGBTQIAP+  e que a mesma enfrenta uma grave discriminação aprofundada por variáveis ​​associadas à questão migratória , somado a o  rápido aumento da presença de imigrantes nos diferentes países, o interesse sobre o aspecto da heterogeneidade se incrementou (BRAVO, 2023). Esse incremento pode ser visto refletido nos assuntos de políticas tanto internas como externas. Fonte: Mídia Ninja No caso do presidente argentino, Javier Milei,  que assumiu a presidência em 10 de dezembro de 2023, expressou o seguinte: “...uma polêmica comparação entre o Estado e um pedófilo: “Aqui a questão é a seguinte. Reconheça quem é nosso verdadeiro inimigo. Nosso verdadeiro inimigo é o Estado. O Estado é o pedófilo no jardim de infância, com as crianças acorrentadas e banhadas em vaselina.”  (PERFIL, 2023).  O que ele exteriorizou dois anos atrás não foi um ato isolado.  Milei foi além no discurso que fez em janeiro , quando viajou para a cidade suíça de Davos para participar da reunião anual do Fórum Econômico Mundial. Em Davos, ele declarou o seguinte: “Há algumas semanas, o caso de dois americanos homossexuais ganhou as manchetes em todo o mundo que, levantando a bandeira da diversidade sexual, foram condenados a cem anos de prisão por abusarem e filmarem seus filhos adotivos há mais de dois anos. Quero deixar claro que, quando digo abuso, não é um eufemismo, porque nas suas versões mais extremas, a ideologia de gênero constitui simplesmente abuso infantil. Eles são pedófilos. Portanto, quero saber quem endossa esses comportamentos.” (MILEI, 2025) Fonte: Internet Essas palavras no discurso não passaram despercebidas; foram criticadas, e os Grupos LGBTQIAP+ e feministas conseguiram apoio de organizações sociais, políticas e sindicais para a realização da Marcha do Orgulho Antifascista e Antirracista , que reuniu milhares de pessoas contra Milei em diferentes cidades da Argentina e em outros lugares do mundo , como, por exemplo, em Berlim, Roma, Paris, Barcelona, ​​Madrid, Londres, Lisboa e Amsterdã. Houve também concentrações em Santiago do Chile, Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Montevidéu, Nova York e Cidade do México. A esse respeito, é relevante mencionar que, já em fevereiro de 2024, foi solicitado o impeachment do presidente, argumentando “conduta repreensível e inaceitável exibida em plataformas digitais, com atos de discriminação e outros recursos questionáveis ​​contra determinados grupos sociais” (RADIO UNR, 2024). Mesmo com o pedido e os movimentos contrários ao pensamento de Javier Milei, ele leva à ação o que afirmou em mais de uma oportunidade. Recentemente, ele manifestou que “este governo defende a igualdade perante a Lei consagrada na nossa Constituição Nacional. Nenhuma vida vale mais que outra” e que pretende reverter as leis que ampliaram os direitos das mulheres e das pessoas LGBTQIAP+ no país.  Para isso, promoverá no Congresso uma reforma do Código Penal  que elimine a figura do feminicídio, que agrava a pena no caso de homicídios de mulheres por razões de gênero. O anúncio surge após Milei ter definido o feminismo, a diversidade, o aborto e a ideologia de género, entre outros, como “cabeças de uma mesma criatura cujo propósito é justificar o avanço do Estado” sobre a liberdade dos indivíduos. As posições de Milei contra o que ele chama de “ideologia de gênero” ganharam força com a posse de Donald Trump nos Estados Unidos. Horas depois de tomar posse, Trump assinou uma ordem executiva que põe fim aos programas de diversidade, equidade e inclusão no governo federal. Trump restringiu os procedimentos de transição de gênero em menores e descreveu-os como mutilação, afirmando: “Esta tendência perigosa será uma mancha na história da nossa nação e deve acabar”. Em todo o país, os profissionais médicos mutilam e esterilizam um número crescente de crianças impressionáveis”, diz a ordem executiva. Como consequência de suas palavras, metade dos estados nos Estados Unidos proibiu o tratamento de menores que não se identificam com o seu gênero de nascimento. Fonte: AP Photo/Ben Curtis Em relação ao assunto, pessoas influentes como a cantora Madonna, se expressaram nas redes sociais : “É muito triste ver nosso novo governo desmantelando lentamente todas as liberdades pelas quais lutamos e conquistamos ao longo dos anos” ... “Não desista da luta!”. Cabe destacar que Madonna tem sido uma forte apoiadora da comunidade, especialmente desde os anos 90. Há algum tempo, em um show em Barcelona, ela se envolveu em uma bandeira da comunidade e cantou “Não chore por mim, Argentina”. As semelhanças nos pensamentos e ações de Trump e Milei chegam até a questão das fronteiras.  Embora o muro fronteiriço entre os Estados Unidos e o México tenha começado a ser construído há mais de um quarto de século, foi na primeira presidência de Donald Trump (2017-2021) que ele ganhou maior impulso. Porém, não conseguiu construir um muro que percorresse toda a fronteira. As barreiras só foram levantadas nas zonas mais sensíveis. No que diz respeito à administração do governo argentino, foi confirmado que pretendem instalar uma cerca na passagem fronteiriça da cidade de Aguas Blancas, na província de Salta, no norte do país . A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, afirmou que a área “estava completamente descontrolada”. A cerca tentará delimitar a distância entre a rodoviária local e o escritório de imigração do Porto de Chalanas, onde as pessoas circulam sem passar por controles, afirmam as autoridades. A cerca será de arame com cerca de 200 metros, tentando impedir a passagem ilegal de pessoas e, segundo as autoridades, o tráfico de drogas. Em relação às ações, o Governo da Bolívia expressou a sua preocupação com a medida e observou que “as questões fronteiriças devem ser abordadas através de mecanismos de diálogo bilateral”. Tanto o presidente dos Estados Unidos como o da Argentina, compartilham ideias e pensamentos em relação ao aborto, direitos LGBTQIAP+, ideologia de gênero, liberdade dos indivíduos, diversidade, equidade, inclusão, migrações, questão das fronteiras e assuntos de políticas internas e externas. Ambos expressam que é momento de “acordar” ( woke ) e de “considerar que as políticas implementadas representam não só uma ameaça aos valores familiares, mas até à própria democracia”.  O termo “ woke ” ressurgiu na última década com o movimento “ Black Lives Matter ”, ou seja, contra a violência policial, “ Me Too ” contra o abuso sexual, e a favor dos direitos LGBTIQ+. O Dicionário Oxford, em 2017, acrescentou este novo significado de “ woke ”, definindo-o como: “Estar atento às questões sociais e políticas, especialmente ao racismo” . O conceito surgiu dentro da comunidade negra nos Estados Unidos e originalmente pretendia alertar para a injustiça racial. Mas o termo é muito mais complexo e pode refletir com quais posições políticas se está mais alinhado. Enquanto para alguns estar “ woke ” é ter consciência tanto social como racial  e poder questionar os paradigmas e as normas opressivas, para outros descreve aqueles que se consideram moralmente superiores  e querem impor suas ideias progressistas sobre o resto. Os críticos da cultura questionam os métodos coercivos utilizados por alguns contra aqueles que dizem coisas ou cometem atos que consideram misóginos, homofóbicos ou racistas. Seguindo as palavras de Milei em relação a “ woke ”: “A grande epidemia do nosso tempo que deve ser curada é o câncer que deve ser removido.” “Hoje venho dizer-lhes que a nossa batalha não está vencida, que, embora a esperança tenha renascido, é nosso dever moral e nossa responsabilidade histórica desmantelar o edifício ideológico do wokismo doentio”. E acrescentou: “O wokismo é o resultado da inversão dos valores ocidentais, cada um dos pilares da nossa civilização foi alterado por uma versão distorcida de si mesmo, através da introdução de vários mecanismos da sua versão cultural”. Também descreveu o wokismo como “um regime único de pensamento” e sustentou que “feminismo, diversidade, inclusão, equidade, imigração, aborto, ambientalismo, ideologia de género, entre outros, são cabeças da mesma criatura cujo propósito é justificar o progresso” (MILEI, 2025). O que começou como um choque cultural transformou-se num confronto em todos os aspectos, não só político. Mais uma vez, pode-se ver que estamos ante uma batalha, e o que foi dito há algum tempo, através da pergunta: “como podemos ajudar os migrantes LGBTQIAP+ a tornar visível sua existência, cooperar em sua integração na sociedade e garantir o acesso a direitos?” , cobra mais relevância que nunca. Neste contexto, podemos ajudar as minorias , aos migrantes LGBTQIAP+ a tornar visível sua existência por meio de um papel ativo na sociedade, cooperando para que sua integração  permaneça nas melhores condições possíveis, além das medidas que o governo de turno queira implementar. Não é uma tarefa fácil quando existem presidentes que afirmam que “é hora de sair desse roteiro e de ser ousado, escrevendo seus próprios versos”, parecendo esquecer que essa “ousadia” atenta contra a vida de milhares de pessoas.  Políticas como estas têm um efeito prejudicial, especialmente na saúde mental.  O apoio à saúde e ao bem-estar transcende a política, e as autoridades eleitas e os meios de comunicação que compreenderem os perigos que as políticas e a retórica anti-LGBTQIAP+ e anti-imigrantes representam devem se posicionar e ser a voz daqueles que não podem se expressar livremente. Editorial do Portal Águia Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme REFERÊNCIAS https://cnnespanol.cnn.com/2025/01/22/eeuu/aconsejan-comunidad-lgbtq-precauciones-trump-traxhttps://elordenmundial.com/mapas-y-graficos/mapa-muro-mexico-estados-unidos/ https://www.pagina12.com.ar/800963-el-mundo-se-sumo-a-la-marcha-antifascista-y-antirracistahttps://www.bbc.com/mundo/noticias-63465024https://chequeado.com/el-explicador/el-discurso-de-javier-milei-en-davos-que-es-la-ideologia-woke/ https://radio.unr.edu.ar/2024/02/29/solicitan-juicio-politico-al-presidente-javier-milei/ https://legrandcontinent.eu/es/2025/01/25/milei-en-davos-el-discurso-completo-2/ https://www.perfil.com/noticias/politica/pedofilia-violaciones-holocausto-y-discapacidad-las-polemicas-comparaciones-que-usan-en-la-libertad-avanza.phtml https://www.telenoche.com.uy/mundo/donald-trump-restringe-los-procedimientos-transicion-genero-menores-lo-califico-mutilacion-n5379644 https://www.eldiarioar.com/espectaculos/madonna-critico-medidas-milei-trump-comunidad-lgbtq-triste_1_12003542.html https://www.vozdeamerica.com/a/milei-planea-eliminar-feminicidio-codigo-penal-argentino-se-alinea-trump-contra-diversidad-/7949778.html https://www.bbc.com/mundo/articles/c4g7745w9vgo https://www.portalaguia.com/post/imigrantes-lgbtqiap-uma-dupla-discrimina%C3%A7%C3%A3o

  • Mudanças na política: Velhos políticos, novas estratégias

    Na última semana assisti a uma entrevista em que a entrevistada respondeu a uma pergunta com: "Não se fazem mais políticos como antigamente!" De alguma forma, essa frase me atingiu e me fez refletir: Como seriam os políticos de antigamente com a política e a internet mudando todas regras do jogo político? Fonte: https://observatorio3setor.org.br/debate-politico-na-internet/ A cada período eleitoral, temos visto o crescimento de barbaridades sendo cometidas em campanhas políticas. Foram as fakes news lançadas na campanha de 2014, quando  o então candidato à Presidência da República, Aécio Neves, questionou a veracidade das urnas eletrônicas. Em 2018 , fomos tomados por uma avalanche de mensagens no WhatsApp e demais mídias sociais, com mensagens sobre o perigo comunista (sic), o Brasil se tornar como a Venezuela (sic), entre diversas outras barbaridades, até chegarmos a socos e cadeiradas em 2024. E, em meio a esse tornado de situações, muitas vezes nos questionamos sobre onde vamos parar com isso tudo, então fica o questionamento: como chegamos até aqui? Para responder a essa pergunta, é importante entender como a internet se tornou crucial para as campanhas políticas . O ponto de partida Em 2009, foi autorizado o uso das mídias sociais para a campanha política no Brasil de 2010. Até então, era possível apenas o uso de sites e blogs que falassem do então candidato à eleição. E ssa autorização veio após a positiva campanha eleitoral no pleito americano de 2008 , quando Barack Obama se tornou presidente. O slogan utilizado nas mídias sociais naquela época ficou conhecido como " Obama everywhere " e foi extremamente importante para a eleição do democrata. Fonte: https://techcrunch.com/2015/02/05/obama-was-an-iphone-fanboy-before-everyone-else/ A intenção do uso das mídias sociais em campanhas políticas seria para a expansão do debate político e atingir jovens que, naquela época, eram os que mais utilizavam. Embora autorizado, o uso das mídias sociais na campanha eleitoral não foi eficaz na corrida presidencial de 2010, mas ela já se fez presente. O uso das mídias sociais na política no Brasil se tornou mais chamativo no movimento dos "0,20 centavos" em São Paulo em 2013 . Naquela época, as mídias sociais eram usadas para organizar protestos em diversos espaços em São Paulo. Esse movimento foi encabeçado pelo Movimento Passe Livre , que lutava pelo transporte livre para estudantes na cidade de São Paulo. Fonte: https://webjornalunesp.wordpress.com/2014/06/16/por-dentro-do-movimento-nao-vai-ter-copa/ O formato de organização desse movimento ajudou a desencadear diversos outros protestos, como o " Não vai ter copa ", que se estendeu por diversas cidades, como Rio de Janeiro e Salvador. A partir de então, o uso das mídias sociais foi se tornando cada vez mais importante em movimentos e campanhas políticas. O uso das mídias sociais foi se tornando cada vez mais acessível e cada vez mais inovador. Diversos exemplos e modelos começaram a surgir ao redor do mundo. Um desses exemplos foi o BREXIT, movimento responsável pela campanha da saída do Reino Unido da União Europeia, uma parceria que acontecia há mais de 40 anos e que foi em sua grande parte movimentada pelas mídias sociais, com divulgação de materiais, entre elas fake news. Já do outro lado do oceano Atlântico, o uso das mídias sociais disseminou em larga escala milhares de fake news , que contribuíram para a eleição de Donald Trump em 2016 . Ambos eventos, o BREXIT na Europa e a eleição do Republicano Donald Trump para a Casa Branca, foram orquestrados pelas mídias sociais e suas falcatruas ficaram expostas no escândalo Cambridge Analytics , divulgado em 2018. Naquele momento, ficou exposto e pode-se ter uma ligeira noção do poder das mídias sociais e, a partir de então, as corridas eleitorais já não eram mais as mesmas há algum tempo. Crescimento no Brasil Na década de 2010, o Brasil foi tomado por um movimento de popularização e melhoria na oferta de internet. Isso possibilitou o acesso e a democratização das mídias sociais , chegando agora a outras faixas etárias que até então pouco utilizavam. Essa possibilidade foi identificada por diversos movimentos políticos que, a exemplo do que foi visto fora, começaram a se organizar. Foi exatamente isso que aconteceu no surgimento do movimento bolsonarista por volta de 2018 . A divulgação de soluções simples para problemas complexos e as falas polêmicas, tornaram Jair Bolsonaro um nome a ser especulado para uma corrida presidencial. No começo de 2018 , já se afirmando como candidato, Jair Bolsonaro era considerado um candidato que jamais conseguiria alcançar um considerável número de eleitores e foi nesse momento que o formato de campanha política no Brasil mudou completamente. Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/politica/para-criar-seu-novo-partido-bolsonaro-quer-coletar-assinaturas-no-whatsapp A campanha política, antes pautada por um discurso formatado e generalista, vinculado pela TV e rádio, perdeu a sua importância. As mídias sociais se tornaram então o principal palco político do Brasil. A nova política com velhos políticos Bolsonaro, que era considerado carta fora do baralho , com míseros 8 segundos de tempo de TV, igualmente a seu "rival", Cabo Daciolo . Porém, ele seguiu corretamente a cartilha de outros outsiders, como Donald Trump e Boris Johnson . Partiu para as mídias sociais, espalhando desinformação em larga escala e quebrando todos os protocolos legais. Além disso, utilizou muito bem as possibilidades de contato e segmentação de discursos para públicos específicos, alcançando um crescimento estratosférico, que antes estava segmentado em uma bolha, impressionando a todos analistas políticos da época. Foi inaugurada a era do palanque digital. De lá até os dias atuais, as mídias sociais se tornaram protagonistas na corrida eleitoral e a extrema direita é a principal utilizadora deste meio para crescer. A possibilidade de segmentação de discurso e a utilização do discurso fácil e direto tem ganhado a população, que tem apresentado cada vez mais decepção com a democracia, não enxergando o perigo iminente. Eleições 2024 É dessa forma que chegamos às eleições municipais de 2024. Definitivamente a internet e as mídias sociais se tornaram atores fundamentais no desenrolar político ao longo de toda a campanha. É através de brechas na lei que candidatos têm conseguido cada vez mais burlar e utilizar de maneira injusta as formas de impacto via mídias sociais. A utilização da TV para apresentação de propostas e debates, tem sido usada como precursor para criação de vídeos curtos para disparos em massa, muitas vezes em formas de pirâmides, monetizando o conteúdo e criando campanhas que não há possibilidade de serem rastreadas, o que é ilegal . Diferente de campanhas patrocinadas, onde há o pagamento e registro de valores, que devem ser prestado contas ao final da campanha. Fonte: https://www.tre-sc.jus.br/comunicacao/noticias/2024/Marco/propaganda-em-geral-veja-o-que-pode-e-o-que-nao-pode-ser-feito-durante-a-campanha-eleitoral Além disso, cortes de vídeos da TV e demais espaços, como palestras, comícios entre outros que surgem, têm sido utilizados e direcionados cada vez mais para bolhas específicas. Falas aparentemente grosseiras e inofensivas, se tornam chamariz para pequenos nichos. Outra forma de propagação e divulgação de candidatos, são os próprios escândalos, que são usados com discurso de ódio e ode ao " sistema ", onde há promessa de ser " antissistema ". O formato de se fazer política mudou. A ascensão da internet e a possibilidade de se falar diretamente para determinado público aumentaram o alcance de fala e de discursos. Porém, tenho que discordar da entrevistada do começo do texto, não acredito que os políticos mudaram, eles apenas conseguiram maiores holofotes e alcance com os seus reais ideais. Texto escrito por Felipe Bonsanto Formado em Administração de empresas, pós-graduação em marketing e apaixonado por Los Hermanos. É militante pelos direitos LGBTQIAP+, trabalha com educação há oito anos, atua como co-host no podcast O Historiante e é colunista do Zero Águia. Revisão: Eliane Gomes Edição: Felipe Bonsanto, Eliane Gomes e João Guilherme

  • Desigualdade Social: Um problema atual e persistente

    Como diria uma antiga canção... “(...) Analisando essa cadeia hereditária quero me livrar dessa situação precária. Onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre. E o motivo todo mundo já conhece é que o de cima sobe e o de baixo desce (...) mas eu só quero educar meus filhos. Tornar um cidadão com muita dignidade, eu quero viver bem, quero me alimentar, com a grana que eu ganho, não dá nem pra melar (...)” Talvez você tenha lido este parágrafo anterior cantarolando, pois se trata da música “ Xibom Bombom ” do grupo musical “ As Meninas ” que fez muito sucesso pelos anos de 1.999. Apesar de vinte e cinco anos terem se passado, a música infelizmente se mantém atual correndo o risco de piorar. No dia de 15 de janeiro de 2024 saiu um relatório da OXFAM, “ organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos e independente ”, criada em 2014 com objetivo de colaborar para construir um Brasil com mais justiça e menos desigualdades sociais. De acordo com o relatório “ Nós e as Desigualdades ” da OXFAM Brasil de 2022, a maioria dos brasileiros acredita que a redução da desigualdade é fundamental para o progresso do país . Cerca de 87% dos entrevistados concordam que a diminuição da diferença entre ricos e pobres é uma obrigação dos governos, um aumento de 2% em relação à pesquisa de 2021. Para combater a desigualdade social, 96% dos [entrevistados] brasileiros defendem que os governos devem garantir recursos para programas de transferência de renda e assistência social, especialmente para aqueles que mais precisam. Além disso, 95% acreditam que o Auxílio Brasil deve atender a todas as pessoas em situação de pobreza. Contrariando a crença popular de que quem recebe benefícios não quer trabalhar , a pesquisa revela que 54% dos entrevistados consideram o emprego como uma das três principais prioridades para uma vida melhor. Além disso, 55% acreditam que o crescimento no trabalho também está entre as primeiras prioridades. Notavelmente, estar empregado foi indicado como a primeira prioridade para uma vida melhor por 19% das pessoas de 25 a 44 anos, 19% das pessoas com ensino superior, 21% das pessoas que ganham até um salário mínimo, 20% dos beneficiários do Auxílio Brasil, 22% dos beneficiários do Auxílio Gás, e 19% das pessoas que acreditam ter retrocedido de classe social nos últimos cinco anos. Imagem extraída da pesquisa "Nós e as Desigualdades 2022", realizada em parceria com o Instituto Datafolha de março de 2022 (https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/pesquisa-nos-e-as-desigualdades/pesquisa-nos-e-as-desigualdades-2022/) Quando questionados sobre medidas prioritárias para a redução da desigualdade, o aumento da oferta de empregos e o aumento do salário mínimo foram destacados , com médias de 9,6 e 9,5, respectivamente. Além disso, 85% dos entrevistados concordam com o aumento dos impostos para pessoas muito ricas a fim de financiar políticas sociais, um aumento de 1% em relação a 2021. Ainda, 94% concordam que o imposto pago deve beneficiar os mais pobres e 56% concordam com o aumento dos impostos em geral para financiar políticas sociais, mantendo o mesmo patamar da pesquisa de 2021. Imagem extraída da pesquisa "Nós e as Desigualdades 2022", realizada em parceria com o Instituto Datafolha de março de 2022 (https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/pesquisa-nos-e-as-desigualdades/pesquisa-nos-e-as-desigualdades-2022/) Thomas Piketty, docente e economista renomado, é um dos mais respeitados de sua época. Com sua obra “ O Capital no Século XXI ”, ele contribuiu para inserir as disparidades de renda e patrimônio no cerne do debate na Europa e nos Estados Unidos. Piketty observa que, mesmo que as disparidades tenham se ampliado desde os anos oitenta ou noventa, elas são inferiores às de um século atrás . Ele sustenta que o mundo do século XIX, com a propriedade concentrada em poucos indivíduos, não era apenas desigual, mas também gerava menos crescimento do que o século XX, que presenciou uma notável diminuição das desigualdades. Ele propõe um imposto de 90% sobre o patrimônio dos mais ricos, com o intuito de fazer circular a propriedade e permitir que todos tenham acesso a ela. Ele defende que tal imposto possibilitaria financiar uma herança de 120 mil euros para todos aos 25 anos, o que poderia auxiliar na redução da desigualdade. Contudo, se nada for feito para enfrentar o crescimento das disparidades, Piketty alerta que o risco seria uma ruptura da União Europeia, outros BREXIT, ou uma tomada de controle por movimentos xenófobos, ambos nada indicados por ele conforme descrito no site El País. Piketty enxerga a propriedade privada como uma transformação crucial com uma dimensão libertadora ligada à liberdade e, simultaneamente, uma dimensão de alienação e domínio. Ele critica a estagnação no meio do caminho: desenvolver a igualdade formal perante o direito de propriedade sem avançar em direção à igualdade real, à verdadeira disseminação da propriedade. Em suma, tanto Piketty quanto a OXFAM Brasil destacam a necessidade de políticas efetivas para combater a desigualdade e promover a justiça social. A busca por direitos deve ser equilibrada com o cumprimento dos deveres, para que a sociedade como um todo possa prosperar. Crescimento e Distribuição do PIB Brasileiro em 2022 O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2022 , conforme dados do IBGE, ultrapassou a marca de 10 trilhões de reais, representando um crescimento de 31% em relação a 2020. As regiões de maior destaque foram o Sudeste e o Sul, com São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ocupando as três primeiras posições. A região Sul aparece a partir da quarta posição com o Rio Grande do Sul. A Bahia, no Nordeste, ocupa a sétima posição, seguida pelo Distrito Federal, no Centro-Oeste, na oitava posição. A região Norte aparece na décima posição com o estado do Pará. São Paulo tem uma representatividade de 30% na economia nacional, seguido pelo Rio de Janeiro com 10% e Minas Gerais com 9,52%. Os estados com o PIB mais críticos são Roraima (0,20%), Amapá (0,22%) e Acre (0,24%). Os dados do PIB de 2022 refletem a dinâmica econômica do Brasil, com as regiões Sudeste e Sul liderando o crescimento . No entanto, a disparidade econômica entre as regiões permanece um desafio, como evidenciado pelos baixos índices de PIB em estados como Roraima, Amapá e Acre. É crucial que políticas sejam implementadas para promover o desenvolvimento econômico equilibrado em todo o país. Programas sociais do governo brasileiro https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/32418-sintese-de-indicadores-sociais-em-2020-sem-programas-sociais-32-1-da-populacao-do-pais-estariam-em-situacao-de-pobreza No Brasil, para participar de programas sociais do governo federal é necessário se inscrever gratuitamente no Cadastro Único, para isso é preciso ir presencialmente a um posto de atendimento. Alguns dos programas sociais do governo federal que utiliza este cadastro para beneficiar as famílias com renda mensal de até meio salário-mínimo por pessoa são: Programa Bolsa Família; Programa Tarifa Social de Energia Elétrica; Isenção de Taxas em Concursos Públicos; ID Jovem; Carteira do Idoso; Programa Minha Casa Minha Vida. Este Cadastro Único também é utilizado para o governo ter ciência de quantas famílias de baixa renda existem no país. Entre 2019 e 2020, o Brasil viu uma diminuição na proporção da população em extrema pobreza e pobreza, graças à implementação de programas sociais. No entanto, sem esses programas, as taxas teriam aumentado significativamente. O rendimento médio domiciliar per capita também caiu em 2020, e essa queda teria sido ainda maior sem a presença de programas sociais. A pandemia de Covid-19 teve um impacto significativo no mercado de trabalho e na educação, resultando em uma diminuição no nível de ocupação e na taxa de informalidade, e deixando muitos estudantes sem aulas presenciais e sem atividades escolares. Além disso, a pandemia aumentou significativamente o número de óbitos no país, afetando desproporcionalmente os homens pretos ou pardos. Muitas pessoas vivem em domicílios alugados com contratos apenas verbais e em áreas sujeitas a inundações. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, muitos trabalhadores demoram mais de uma hora para chegar ao trabalho, destacando os desafios do transporte na área. Esses são apenas alguns dos muitos desafios enfrentados pela população brasileira. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/32418-sintese-de-indicadores-sociais-em-2020-sem-programas-sociais-32-1-da-populacao-do-pais-estariam-em-situacao-de-pobreza Desigualdade social no mundo Ao olhar para o mundo, no relatório de Desenvolvimento Humano 2021/2022, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em maio de 2023, apresenta dados do Índice Gini. Este coeficiente, que varia de zero a cem, mede a concentração de renda - quanto maior o valor, maior a desigualdade social. O cálculo é realizado através de uma fórmula matemática que analisa a distribuição acumulada de renda em relação à população que recebe essa renda. Em 2020, o continente africano concentrava os países com maior desigualdade. Entre as quinze primeiras nações do ranking, dez estavam na África, com destaque para a África do Sul, que apresentava o maior índice de desigualdade social do mundo ( coeficiente Gini 63 ). Fora da África, o país com maior desigualdade social era a Colômbia, com Gini de 54,2 . O Brasil apareceu em décimo quarto lugar em 2020, com coeficiente Gini de 48,9, empatado com o Congo. Em 2022, o índice brasileiro aumentou para 52,9, elevando o país para a oitava posição. A África do Sul manteve-se em primeiro lugar. Já a Colômbia, que em 2020 era o sexto país mais desigual fora do continente africano, em relação a igualdade, superou o Brasil em 2022, ficando na nona posição. Já no índice de Gini 2022, no índice mais recente (2022), o Suriname aparece em terceiro lugar, com Gini de 57,9. É importante lembrar que em 2021 a COVID-19 ainda impactava o cenário global e em 2022 era a recuperação do cenário econômico. Os países com menores índices Gini foram Eslováquia (21,2), Eslovênia (23,1) e Islândia (23,2), respectivamente. Os Estados Unidos ocuparam a centésima décima terceira posição, com Gini de 39,8. A questão que se coloca é: até quando teremos pessoas extremamente pobres “mendigando por um pedaço de pão enquanto o cachorro da casa do patrão come pão com salmão”? Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto Fontes: https://www.letras.mus.br/as-meninas/44262/ https://www.poder360.com.br/economia/mundo-pode-ter-1o-trilionario-em-10-anos-diz-oxfam/ https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/ https://www.estadao.com.br/internacional/brasil-paises-ranking-desigualdade-social-indice-gini-nprei/ https://pt.countryeconomy.com/demografia/indice-de-gini https://pt.countryeconomy.com/demografia/indice-de-gini/brasil https://www.oxfam.org.br/wp-content/uploads/dlm_uploads/2022/09/LO_relatorio_nos_e_as_desigualdade_datafolha_2022_vs02.pdf https://pt.countryeconomy.com/demografia https://www.gov.br/pt-br/servicos/inscrever-se-no-cadastro-unico-para-programas-sociais-do-governo-federal#:~:text=Para%20se%20inscrever%20no%20Cadastro,exemplo%2C%20sua%20carteira%20de%20identidade . https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/cadastro-unico https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/pesquisa-nos-e-as-desigualdades/pesquisa-nos-e-as-desigualdades-2022/ https://brasilescola.uol.com.br/geografia/indice-gini.htm#:~:text=O%20Brasil%20apresenta%20um%20coeficiente,mundo%2C%20com%20%C3%ADndice%20de%200%2C533 . https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/32418-sintese-de-indicadores-sociais-em-2020-sem-programas-sociais-32-1-da-populacao-do-pais-estariam-em-situacao-de-pobreza https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php#:~:text=No%20%C3%BAltimo%20trimestre%20divulgado%20(3%C2%BA,das%20Unidades%20da%20Federa%C3%A7%C3%A3o%20brasileiras . https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/22/economia/1574426613_189002.html

  • Desafios das Organizações Internacionais: Eficiência, responsabilidade e relevância

    Para começar a desenvolver o assunto , é pertinente ir à origem dele, ou seja, ao conceito sobre as Organizações Internacionais (OI) . O fenômeno das OI inclui um processo evolutivo na configuração dos elementos que as definem tal como as conhecemos hoje. Tanto o aparecimento delas como o reconhecimento formal, geral e expresso da sua subjetividade internacional têm sido sujeitos a uma importante evolução histórica. No início, os Estados não eram apenas os principais intervenientes nas Relações Internacionais (RI), mas também os únicos sujeitos do direito internacional. FONTE: https://internacionaldaamazonia.com/2020/11/18/a-importancia-das-organizacoes-internacionais-no-mundo-contemporaneo/ A sociedade internacional clássica era caracterizada por uma natureza limitada. Contudo, os avanços em numerosos aspectos técnicos e culturais criaram um clima propício à Cooperação Internacional através de estruturas mais ou menos organizadas . Junto com os Estados, surgiram outros atores internacionais que alcançarão importância vital na sociedade internacional e aos quais serão reconhecidos certos direitos e obrigações de vários tipos. Lembrando que, ainda hoje, os Estados continuam a ser os principais e primários sujeitos do direito internacional , mas deixarão de ser os únicos sujeitos e outros atores , como OI e os indivíduos, alcançaram o estatuto de sujeitos de direito internacional. Então, é possível falar de dois tipos de atores internacionais. Por um lado, os sujeitos primários ou originários, entre os quais estão os Estados e, por outro lado, os sujeitos secundários ou derivados, onde se enquadram as OI.   (DÍAZ GALÁN, 2018; ROUSSEAU, 1987). Cada organização internacional possui uma estrutura institucional composta por vários órgãos permanentes. Esta permanência não precisa ocorrer em todos os órgãos, mas basta que ocorra nos administrativos, permitindo o funcionamento contínuo dela. Esta permanência pode aparecer expressa ou tacitamente destacada no tratado constitutivo da referida organização. A permanência da estrutura institucional permite distinguir as OI das conferências internacionais; embora às vezes, devido à forma como as decisões são tomadas, à importância do seu secretariado e à duração, a distinção entre os dois possa ser um pouco confusa (DE VELASCO VALLEJO, 2010). Colocando o foco nas OI, elas nascem com objetivos específicos a resolver. Portanto, pode-se destacar o caráter “funcional” de sua subjetividade . Os direitos e obrigações que serão reconhecidos dependerão das necessidades que deverão ser respondidas através destas entidades internacionais. É como no caso das Nações Unidas , a instituição tem o mandato de cumprir um determinado objetivo internacional. Portanto, é vital estar sempre atento à meta e ao objetivo de cada uma das OI quando nos movemos no âmbito da subjetividade internacional dessas entidades (DÍAZ GALÁN, 2018). FONTE: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/onu.htm Em relação ao objetivo internacional que as OI devem cumprir - ou isso é o que se espera - e aos diferentes sucessos que vem acontecendo na sociedade internacional; João Guilherme Grecco ,   no seu artigo “ Reforma do Conselho de Segurança não só é urgente como vital ” , expressou que: “... fica demonstrada a necessidade de reforma do Conselho de Segurança.  O mundo com a atual composição e poderes do CSNU parece não conseguir lidar, com eficácia e rapidamente, os conflitos cada vez mais complexos. Ainda que seja necessária alguma reforma, é melhor existir um espaço com regras e comprometimento das partes para resolver questões de segurança internacional da forma menos danosa possível.” ( GRECCO, 2024)   Historicamente, as organizações internacionais podem ajudar os países a enfrentar bilateralmente os desafios relacionados ao financiamento, à capacidade técnica, à gestão institucional e a criar bens públicos globais para superar estes obstáculos (World Bank, sn). Funções que têm vinculação com a responsabilidade nesse âmbito. Quando se fala de Responsabilidade Social (RS), refere-se a um conceito muito amplo que pode dizer muito e nada de concreto ao mesmo tempo. Contudo, qualquer que seja a definição adotada, todos concordam com a necessidade de promover boas práticas nas organizações , assumindo a responsabilidade pelos seus impactos (NÚÑEZ REYES, 2003). As mudanças associadas a uma nova concepção do tema da RS , aliadas às inúmeras iniciativas e organizações preocupadas com o assunto, e a sua implementação como novos padrões de comportamento dos diferentes atores globais e locais , fazem com que o conceito de RS seja difícil de aplicar de fato, e ao mesmo tempo, existem diferentes níveis em que essa responsabilidade é aplicada. A respeito disso, as Nações Unidas propõem três níveis de ação: direitos humanos, direitos laborais e ambiente. FONTE: https://foccoerp.com.br/blog/responsabilidade-social/ O nível de direitos humanos e laborais está geralmente sujeito ao cumprimento de normas internacionalmente aceitas (Declaração Internacional dos Direitos Humanos das Nações Unidas, os quatro princípios fundamentais da OIT e o Direito do Trabalho (1998)) . Por outro lado, o nível ambiental, se refere especificamente à responsabilidade que os atores têm pelas externalidades geradas pela sua atividade produtiva. Este nível abrange: a administração dos recursos naturais, o controle da poluição, a gestão de resíduos e a ampliação da abrangência do conceito que vai além da gestão do seu ambiente . Da mesma forma, incentiva-se um papel mais ativo nos problemas ambientais globais (mudanças climáticas e deterioração da biodiversidade) (NÚÑEZ REYES, 2003). Voltando ao assunto do texto, há quem afirme que as organizações internacionais são muito úteis , pois têm contribuído para a consolidação dos cenários de cooperação entre as nações e para o fortalecimento dos sistemas democráticos e para a proteção dos direitos humanos. Ou seja, as OI são entendidas como fóruns democráticos nos quais as nações têm a possibilidade de trocar opiniões e chegar a pontos de acordo, mas na prática pode-se ver que essa visão não é compartilhada por todo o mundo . É claro que existe uma dualidade de visões sobre a eficácia e responsabilidade social das OI. Conclusão Para concluir, é preciso que a Responsabilidade Social (RS) de cada Organização Internacional (OI) reflita amplamente as diferentes dimensões e leve em consideração a preocupação dos diferentes atores, traduzindo-se num incentivo à adoção de melhores práticas. Estas práticas poderão influir em um melhor desempenho, mas vai depender de vários fatores. Em primeiro lugar , a existência de regras claras e estáveis ​​por parte dos governos continua a ser um aspecto importante na adoção de boas práticas e na construção de confiança, o que desencadeia um aumento da credibilidade e imagem pública; Em segundo lugar , o estabelecimento de acordos públicos e voluntários que estimulem uma mudança de atitude e de responsabilidade; Em terceiro lugar, não devemos esquecer que as OI foram criadas para resolver assuntos da sociedade internacional, como o caso da Venezuela, a guerra entre Israel e Palestina, e a da Rússia e Ucrânia. Não se pode continuar com as mesmas regras e ações quando temos atores vitais em papéis minimamente controversos , tanto na tomada de decisões como protagonistas dos acontecimentos atuais. Nesse contexto de instabilidade, conflito, falta de respostas e mudanças, cabe-se perguntar, onde está a RS dos OI?   Se cada uma delas não pode garantir que é capaz de resolver assuntos relevantes, ou seja, se não são capazes de ser eficazes e responsáveis, para que servem? É urgente revalorizar o papel das OI, pois sua inexistência pode desencadear um cenário de caos, complicações e mudanças prejudiciais. A cooperação internacional poderia ver-se obstaculizada, faltariam mecanismos para resolver conflitos e haveria uma menor colaboração e conexão econômica entre os diferentes atores. Editorial do Portal Águia Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto FONTES: WORLD BANK. 2021. La función de las organizaciones internacionales para mejorar los datos con fines públicos.   DE VELASCO VALLEJO, Manuel Díez. 2010 .  Las organizaciones internacionales. Biblioteca Universitária  de Editorial Tecnos. DÍAZ GALÁN, Elena. Las organizaciones internacionales como sujetos del derecho internacional. Algunas reflexiones sobre los orígenes. Revista de estudos políticos e estratégicos , 2018, vol. 6, no 1, p. 94-114.NÚÑEZ REYES, Georgina. La responsabilidad social corporativa en un marco de desarrollo sostenible. Cepal, 2003.   ROUSSEAU CH. (1987). Droit International Public. Paris, Francia: Dalloz.

  • De Mujica a Orsi: Continuidade e desafios na política uruguaia

    No domingo 24 de novembro aconteceram as eleições presidenciais no país vizinho,  Uruguai. Os principais institutos de pesquisa do país emitiram as suas projeções de contagem de votos às 20:30 da noite com base nos primeiros votos obtidos nos circuitos que foram escolhidos para suas amostras. A fórmula formada por Yamandú Orsi e Carolina Cosse, da Frente Amplo, foi a vencedora após o segundo turno das eleições nacionais, instância conhecida como segundo turno. Fonte: BBC News Orsi, conseguiu vencer o Partido Nacional, formado por Álvaro Delgado e Valéria Ripoll. Durante a campanha, Yamandú prometeu uma política de “ esquerda moderna ” e garantiu que não está planejando uma mudança repentina de política , já que o país tem a característica de ser tradicionalmente moderado. O novo presidente vem de uma das duas grandes coalizões que dominam a política uruguaia, a Frente Amplo. A Frente é integrada há mais de 50 anos por partidos de esquerda e hoje tem o ex-presidente José Pepe Mujica como referente político. Em seu discurso, Orsi afirmou que: “Vai ser o presidente que apela continuamente ao diálogo nacional para encontrar as melhores soluções. Claro, com as nossas ideias, mas também ouvindo bem o que os outros nos dizem”. Ele busca “construir uma sociedade mais integrada…” (...) “ninguém poderá ficar para trás do ponto de vista econômico, social e político”. Fonte: UOL Notícias Suas palavras descrevem perfeitamente o cenário político do país. O cenário político uruguaio, ao contrário de outros países da América Latina, como Brasil ou Argentina, não é marcado por uma notória divisão entre direita e esquerda, ou seja, a polarização que pode-se encontrar nos países mencionados não existe no “paisito” como falam no Uruguai. De forma simples, o ambiente que se respira no Uruguai é caracterizado por uma prevalência de relativa calma e ausência de tensão política e social . Mas essa calma e ausência de tensão não se percebe na economia doméstica, ou seja, nos gastos que cada cidadão tem no dia a dia. No entanto, o que o Uruguai compartilha com outras nações da região é a preocupação com o elevado custo de vida, a desigualdade e a criminalidade , embora a inflação tenha diminuído recentemente. Essa preocupação pode ser vista na forma como o país é chamado, com muitos referindo-se ao Uruguai como a Suécia da América Latina . Mas por que é tão caro viver nesse país? Para responder a essa pergunta, é preciso considerar vários pontos. Fonte: Viagens e caminhos Por um lado, de acordo com dados recolhidos pelo Banco Mundial , os preços de cerca de 600 produtos no Uruguai, em comparação com outros 43 países, eram em média 27% mais caros no país sul-americano . Incrivelmente, países europeus desenvolvidos como França, Alemanha e Reino Unido apresentaram preços inferiores aos pagos em Montevidéu. Comparando exclusivamente com a região latino-americana , os produtos no Uruguai custam mais que o dobro dos da Bolívia, 80% mais que no México e 20% mais que no Brasil e Argentina. O custo elevado tem uma razão clara: o Uruguai padece a falta de concorrência e os setores regulados pelo Estado têm alguns problemas. O efeito país, ou seja, as condições que fazem que o país seja mais caro, é porque praticamente não há produção nacional e os produtos devem ser importados . Além disso,  o mercado em geral é pequeno e fica concentrado em poucas empresas. É importante lembrar que no país vivem 3,5 milhões de pessoas e, devido à falta de uma concorrência maior, o lucro que as empresas colocam nos produtos é bem maior, representando até dez vezes o valor inicial. Por outro lado, ao falar do aspecto econômico não podemos deixar de considerar o sistema tributário e os altos custos da energia . O sistema tributário é baseado em impostos diretos sobre o consumo e não tanto em impostos sobre as pessoas. Um exemplo disso é o combustível . O Uruguai tem o litro de gasolina mais caro da América Latina e quase metade do preço são impostos. Em relação ao diesel, ele também é caro, porque um percentual do preço do litro é destinado ao subsídio ao transporte público, que depois é transferido para os custos de transporte e distribuição de qualquer produto. E não é só isso, acontece também com a eletricidade. As taxas estão entre as mais altas do mundo, devido aos investimentos feitos nos últimos anos para aumentar a produção de energia a partir de fontes renováveis. Fonte: Quero viajar Por último, em relação ao aspecto político e sua estabilidade , o Uruguai foi capaz de manter políticas de longo prazo e certa estabilidade econômica. Mas não podemos  deixar de mencionar alguns dados pontuais. A pobreza está acima dos 8,8% do período anterior à pandemia e a sociedade também é mais desigual do que há cinco anos, segundo o índice de Gini, que cresceu de 0,383 em 2019 para 0,394 em 2023. É importante que a manifestação de vontade política de uma mudança , feita pelas pessoas no último domingo do mês de novembro, seja acompanhada por políticas que permitam reconstruir aspectos vitais de uma sociedade , especialmente nos valores gerais de cada produto que integram a economia de cada lar e na desigualdade social que se evidenciou de forma clara. A ausência de tensão no nível político e falta de polarização na área têm que ir junto com a estabilidade econômica no nível doméstico, ou seja, com preços coerentes com os salários e o nível de vida e qualidade de vida que o Uruguai transmite ao mundo. Editorial Portal Águia Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto Fontes: https://elpais.com/america/2024-11-23/uruguay-la-democracia-tranquila.html https://www.france24.com/es/am%C3%A9rica-latina/20241125-la-izquierda-regresa-al-poder-en-uruguay-qu%C3%A9-se-espera-con-yamand%C3%BA-orsi https://elpais.com/america/2024-11-25/la-izquierda-de-jose-mujica-vuelve-al-poder-en-uruguay-segun-los-primeros-sondeos-a-pie-de-urna.html https://www.bbc.com/mundo/articles/c722g284d8do https://www.univision.com/noticias/america-latina/resultados-elecciones-uruguay-balotaje-entre-yamandu-orsi-y-alvaro-delgado https://www.latimes.com/espanol/internacional/articulo/2024-11-25/lideres-de-america-latina-reaccionan-al-triunfo-de-orsi-y-el-regreso-de-la-izquierda-en-uruguayhttps://cnnespanol.cnn.com/2024/11/25/analisis-elecciones-uruguay-orix

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